13 de fevereiro de 2004
Usuários do CAPS terão programa na rádio Cultura de Amparo

     Estréia nesta segunda-feira, dia 16 de fevereiro, às 12h, pela Rádio Cultura de Amparo (102,9 FM) um programa feito por usuários da saúde mental de Amparo. Intitulado, a princípio, como Programa do CAPS, o trabalho é fruto da Oficina de Rádio realizada pelos usuários do Centro de Atenção Psicossocial de Amparo (CAPS).
     A Oficina de Rádio tem como objetivo principal propiciar um canal de comunicação entre uma parcela excluída da sociedade e a comunidade em geral, visando a mudança de idéias, posturas e comportamentos em relação ao doente mental e a loucura.
     O projeto foi desenvolvido e idealizado pela Coordenação da Saúde Mental e Departamento de Comunicação da Prefeitura de Amparo e contará com apoio da Petrobrás. Participam dessa oficina mais de 12 usuários sendo que 5 deles receberão bolsa-trabalho durante a realização do projeto.
     Essa iniciativa pretende abrir as portas para outras ações e mudanças, como criar legitimação social que sustente iniciativas em saúde mental previstas para um futuro próximo, como as moradias protegidas e a cooperativa de trabalho.
     A oficina radiofônica será mais uma opção de atividade laborativa, significativa e não-alienante, para parte dos usuários de saúde mental do município.

PRIMEIRO PROGRAMA - “Em busca de um nome!”
     Esta foi a pauta proposta pelos participantes. Vamos definir durante o programa um nome que nos traduza e identifique. O ouvinte vai escutar varias opiniões e sugestões e no final do programa saberá com que nome nosso projeto será conhecido.
     Praticar a inclusão social, democratizar os meios de comunicação e remunerar esses usuários da saúde mental são os principais objetivos do programa. Essa empreitada está envolvendo profissionais de várias áreas (saúde, comunicação e educação) e poderá se tornar um marco na história da saúde mental de Amparo.

COMO ESCUTAR A LOUCURA?
     Já existem experiências semelhantes como a “Rádio Tan-Tan”, que foi a precursora dessa idéia, na década de 80, em Santos e atualmente o “Maluco Beleza”, veiculado pela Educativa de Campinas (101.9 FM).
     Mas, o diferencial do programa realizado pelos usuários do CAPS/Amparo, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e o Departamento de Comunicação Social da Prefeitura, está na remuneração dos usuários, gerando trabalho e renda a eles.
     Para o assessor de Saúde Mental de Amparo, o êxito dessas experiências em rádio, levada ao ar pelas cidades de Santos e Campinas - pólos vanguardistas da reforma psiquiátrica nacional - reforçam a iniciativa no sentido de dar voz a essa importante parcela da população, excluída pelos arbítrios ocorridos durante dois séculos no interior dos manicômios.
     Nos dois municípios citados, a “Rádio Tan-Tan” e o programa “Maluco Beleza”, respectivamente, foram fundamentais e efetivos na abertura de comunicação entre os doentes mentais e a sociedade em geral, contribuindo sensivelmente para a mudança de posições e idéias em relação à loucura. “Tais mudanças constituem-se em base importante e necessária para o aumento da permeabilidade social, da inclusão e conseqüentemente da oferta de novas inserções possíveis, seja no plano do lazer, da convivência e de atividades profissionais e laborativas”, afirma o assessor.
     Esse projeto dará voz ao Fabio, à Júlia, Arnaldo, Zé Coimbra, Sônia, Marta, Eric, Amadeu, Glória, João, Valdir, Ana Lígia, Francisco, Daniel, Marcos e muitos outros que durante 2004 estarão participando da Oficina de Rádio do CAPS/Amparo, produzindo um programa que irá ao ar mensalmente pela Rádio Cultura de Amparo (FM 102,9).